quinta-feira, abril 30, 2015

Terças e Quintas - Song#1 - Subtle ways, Dirty ways


I totally need you out of me
All over me.
I try to inhale you,
but you can't come inside.
I have your smell, 
and your subtle ways to tell me
your smoky dreams.

I totally need you now with me
All over again, on me.
I try to wash you away
but you keep holding tight
I have your hands,
and your dirty ways to let me
have you.

Tired of it
Loving it
Waiting for it
We can't rid of it




"Rid Of Me"

Tie yourself to me
No one else 
No, you're not rid of me
Hmm you're not rid of me

Night and day I breathe
Ah hah ay 
Hey, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me

I beg you, my darling
Don't leave me, I'm hurting

Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire

I'll tie your legs
Keep you against my chest
Oh, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
I'll make you lick my injuries
I'm gonna twist your head off, see

Till you say don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?

I beg you my darling
Don't leave me, I'm hurting
Big lonely above everything
Above everyday, I'm hurting

Lick my legs, I'm on fire
Lick my legs of desire
Lick my legs, I'm on fire
Lick my legs of desire

Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
I'll make you lick my injuries
I'm gonna twist your head off, see

Till you say don't you wish you never never met her
Don't you don't you wish you never never met her 
Don't you don't you wish you never never met her
Don't you don't you wish you never never met her

Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her 
(Lick my legs of desire)

Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire
Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire


quinta-feira, setembro 29, 2011

Cigarette Countdown #20


O caminho foi longo até chegar aqui. 
Um caminho inteiro de interrupções para lembrar de você. Para achar você em outras ruas, outros becos, outros dentros, em mim. 
Enfim, de volta. Enfim novamente aqui. Enfim, ao fim do maço.

Neste cigarro derradeiro acendo uma fria chama, um alento para lembrar seu cheiro, seu gosto, seus sons. Porém a cada tragada, a cada fumaça lançada ao longe, as lembranças se dissipam um pouco. Queria reter as memórias por mais tempo. Então penso em parar de fumar, penso em parar de querer... E mais uma vez entendo que essa sou eu: a que sempre quer, a que não aceita por menos.

Confuso, sonolento e angustiantemente finito. Esse é o meu cigarro-memória consumido por mim e pelo vento frio que vem da janela do meu apartamento. E com o crepitar da brasa revivo sua risada quente e sua voz rouca me perguntando: “Quanto vale um cigarro?” 
Vale tanto. 
Valeu o pouco que você me pediu e o muito que eu pude te dar. 
Vale a vida que se segue. 
Vale essa nova manhã vista daqui do alto, que começa a se agitar num ruído diferente,um chiado ao longe, uma estática eterna. E se me lembro bem de um sonho que talvez eu tenha tido, você me disse que essa história será como um televisor ligado, e que não cabe a nós desligá-lo, apenas abaixar ou aumentar o volume quando desejarmos.

Não consigo terminar esse cigarro.

Deixo-o então terminar-se, por si só, queimando num cinzeiro vazio. Deito no sofá, ligo a televisão em nenhum canal, abaixo o volume, apenas por enquanto. E por enquanto também esqueço seus olhos e fechos os meus. Enfim, adormeço, sem você, mas com o nosso incessante porém reconfortante ruído. 


FIM DO VIGÉSIMO CIGARRO

quinta-feira, setembro 22, 2011

Cigarette Countdown #19

Definitivamente não fomos feitas para as manhãs frias. Nem para olhares esquivos, muito menos para o fim.

Dois universos se colidiram esta noite. Dois planetas se chocaram e explodiram. Poeira, lascas, peles, tempestades e vulcões. Como separar os elementos? Como diferenciar as moléculas, as partículas de mundos colapsados, fundidos. Respirei em sua atmosfera, me aqueci no seu sol. Você andou sobre minha superfície. E não foi só isso. Perfurou a rocha mais sólida, penetrou camadas de mim, e achou o que só você conseguiu dominar. Um coração fervente, em plena ebulição. E então? Como desvencilhar? Não fomos feitas pra nos dividir. 
                 
Então ficamos um pouco mais. Você me pede mais um minuto antes de ir. Mais um cigarro. Só isso. É muito pouco agora, e ao mesmo tempo é tudo o que nos define. Abro o maço e restam apenas mais dois, e sei que esse cigarro será o último com você.

Sentamos no meio-fio. Acendemos nossos derradeiros cigarros, como condenados saboreando a última refeição. Não nos falamos, sequer nos olhamos, mas sua perna cansada se apoiando na minha começou a conversa. Minha cabeça caindo pesada em seu ombro disse tudo que você precisava ouvir.
Na última fumaça-cúmplice deste maço, você levanta e me estende a mão. Me convida para um final belíssimo, um abraço numa rua deserta, talvez um beijo num nascer do sol fantástico. Mas o que vi quando olhei em seu rosto foi inesquecível. Era a cor que faltava para esta história improvável. Um novo tom em seus olhos. Não sei qual das duas Você eu gosto mais: a dos olhos-chumbo num quarto esfumaçado, ou a dos olhos-esmeralda numa manhã cinza. 
Beijo a sua mão, me despeço do seus dedos e você me diz adeus com um toque suave nos cabelos.
Te vejo ir, te vejo prender apressada seus cabelos revoltos, fechar seu casaco e encerrar esse caso. Te vejo quase olhar para trás. Mas não olhou. Te vejo dobrar a esquina e ... não há nada mais a se ver.
Você já é alguma outra pessoa e eu ainda sou a mesma e ainda estou aqui.




FIM DO DÉCIMO NONO CIGARRO

quinta-feira, setembro 15, 2011

Cigarette Countdown #18

Agora é sair. É andar em direção ao que sempre esteve lá.
Ao abrir a porta um ar frio me convida a voltar para o quente fogo do quarto. Marrepio com o sopro hostil da manhã e com sua cabeça tocando minhas costas me fazendo ir. E vou...

Como eu não ouvi estes ruídos antes? A cidade sempre esteve lá e nós ignoramos tudo ao redor. Foi isso que nos tornou possível? Apagar todo o entorno, nos descolar do real... e deslocar para fora, para o fino da pele, tudo o que está dentro. E atingir o que se esconder dos olhos da rua. O que você tocou nesta noite foi o meu avesso, aquela que se tem quando todo resto já não mais importa, não mais existe. 


Desviando de copos quase vazios, corpos quase frios, ultrapassamos a manhã da sala. Você flutua a procura de suas chaves, casaco e restos de ontem. E eu, tento achar meu lugar entre seus pertences. 
Paro no espelho do corredor. Me deparo. Sou eu bagunçada, remexida, embaralhada. Ajeito meu cabelo, ajeito um novo cigarro entre os dedos, ajeito um jeito de te dizer um quase adeus, quase triste, quase ficando mais um pouco. Curioso como minhas estórias tem sempre sido um eterno quase. E quando quase decido ir de vez, sem olhar para trás, sem últimos desejos, sinto você como se não desse mais pra me desvencilhar. São suas mãos procurando as minhas, são seus dedos se entrelaçando aos meus, roubando lentamente meu cigarro, os últimos minutos de nós, definitivamente. 
Nos viramos, eu e você, nos admirando no espelho do corredor, encantadas com a imagem dos nossos lindos avessos,  querendo desesperadamente um final feliz.




FIM DO DÉCIMO OITAVO CIGARRO


quinta-feira, setembro 08, 2011

Cigarette Countdown #17

Se eu te envolvo, a manhã te liberta.

Outro dia - ela diz. E então penso em dias longos, sua pele queimando sob o sol de um setembro. Seus cabelos desorientados fugindo pela janela de um carro.

Um outro dia - ela repete - uma tarde dessas... e poderíamos ser mais. E então penso em tardes frias de julho e cigarros quentes. Penso em cafés com você. Penso em vielas e avenidas ouvindo nossas risadas num passeio roubado.

Mas, noites... - ela ri, é onde somos melhores. E então penso nesta noite apenas. Como única noite possível. Os cigarros são mais quentes, as risadas mais intensas, sua pele queima sem sol, seus cabelos me orientam pelas suas vielas e avenidas. 

Se eu fecho meus olhos,e sonhando me recuso a deixar seu colo, a sua vida sem mim me desperta. Levanto-me a contra-gosto, ainda com um gosto de querer ficar mais. Recolho roupas e sombras minhas. Decepcionante é o vestir-me. 
Pela primeira vez temos um muro entre nós duas. Construído por nossos  dias seguintes. Você apologeticamente sentada na beirada da cama, trançando os laços do seu coturno. Eu, largadamente sentada no chão, te olhando e decifrando palavras de um plano remoto de uma próxima vez. 
Enquanto ouço suas expectativas para nosso próximo encontro, acendo um cigarro, não mais olhando para você, mas para mim, para dentro, para um espaço gigantesco que está se abrindo: é o lugar onde espero.
Uma última tragada. 
Longa... 
levanto e sigo.
A fumaça. 
Ainda no peito
Você levanta e me segue.
A porta do quarto ao nosso alcance.
É a nossa saída. 
Não deixo sair...
Nós duas olhamos. 
... a fumaça presa...
Nós duas paramos.
 Inação. 
Não me atrevo mexer meus pés. 

E é você quem derrete o momento congelado. Me segura na cintura, pede que eu deixe a fumaça sair. Eu faço, como se isso definisse o que está por vir.  E então, você me presenteia com um beijo tao longo como a última tragada. Esse beijo, não deixarei sair de mim. 




FIM DO DÉCIMO SÉTIMO CIGARRO 

quinta-feira, setembro 01, 2011

Cigarette Countdown #16

Tão doce foi o seu despertar. Seus olhos me procurando lentos, querendo que eu estivesse ainda lá, em você. Ainda estou, estive a noite inteira.
Tão suave foi ao seu meio sorriso. Sua boca me aquecendo o ombro, pedindo que eu guardasse seu gosto mais um pouco, em mim. Ainda guardo, guardei a noite inteira.


Quantas vezes você amanheceu assim? Ela quis saber, levantando preguiçosa seu corpo de rotina. 


Tão áspera foi a sua fala. Sua garganta me ardendo a mente, implorando que eu evitasse o envolvimento, em nós. Ainda estou envolvida. Estive envolvida a noite inteira.


Assim, ao lado de alguém que... Ela realmente quis saber, acendendo desleixada seu cigarro de despedida.  


E é exatamente aqui que eu chego ao meu limite velho conhecido. É aqui que tudo endurece em mim. É quando a dúvida do que sentir, por onde ir, me atormenta a tal ponto que só me resta acender alguns poucos cigarros e esquecer. E sempre foi doloridamente fácil esquecer... aquela que conheci na época do colégio... Aquela que encontrei sem querer no banheiro de um cinema. Acendi uns dois cigarros talvez e esqueci aquela do banco de trás do carro de um amigo, e também não demorou para esquecer entre tragadas aquela que não sai da minha mente agora... e esqueci talvez, num próximo maço, quando encontrei você numa festa e te quis como a única, como a que me libertaria do medo e da dúvida de ser de alguém.


Essa sou eu. 
A que foge.
A que disfarça o medo com um sorriso certeiro. 
A que desenha uma desculpa torta...
...e foge. 
E depois, como agora, acende um cigarro e lembra... 
outro cigarro e sofre... 
só mais um e... 
esquece?


E você? Me consome em tragadas e me esquece também? E você? Me aviva e mata em uma noite e volta para casa, onde alguém te espera? Não pergunto, não estrago seu despertar, mas entendo: somos iguais, estamos ambas em fuga.  
Sorrio com meu lábio-mentira que verdadeiramente ainda te quer, e com um insignificante cigarro aceso no canto da boca te ajudei com o feixo da sua noite perfeita e das suas roupas. 
Tocar em seu cabelos, e ainda querer. 
Dói um pouco. 
Sentir o cheiro dos seus ombros e, sentar ao seu lado dividindo fumaças. 
Corrói um pouco. 
Procurar em você tudo que foi meu por instantes, e num adormecer, tudo seu novamente...  devolvido onde estava. 
Só mais um pouco...
Um raio de luz invade o quarto e encurta meu tempo com você. A displicência desse cigarrro mal queimado se torna de repente tudo que tenho pra te dar. Te roubo o que parece o último instante da nossa noite-sonho, o último folêgo do meu desejo. Deito minha cabeça em seu colo e digo:  Vem comigo. Só mais um dia. Uma lua. Alguns cigarros...  


E essa sou eu, sempre te envolvendo no escuro da minha cela-coração.




FIM DO DÉCIMO SEXTO CIGARRO

quinta-feira, agosto 25, 2011

Cigarette Countdown #15

Exaustas. Exalamos cheiros e sabores esfumaçados. Respiramos juntas tudo isso.


Silêncio de quase manhã. 


Olhos fechados, meus e seus universos em segundos, separados por fantasias particulares e memórias de alguns cigarros reais. 
Sua perna trêmula descansa na minha, seu corpo ainda pulsante encontra conforto em meus braços. Você se aninha em meu peito e sorri, ouvindo os primeiros sinais de início do dia. E sem pudores de parecer que sempre te quis minha, digo: Já te falei o quanto eu gosto de adormecer ouvindo os pássaros acordarem? Você ri da minha confissão trivial, desdenha, e enrosca sua perna mais um pouco em mim, sem pudores de aceitar que sempre quis ser de alguém, diz: Não, você nunca me disse...
Eu te busco mais um pouco pra perto, te pergunto do que gosta e ouço de você um suspiro longo, preguiçoso, ganho um beijo no pescoço e: Gosto disso, desse gosto sonolento que você...


Adormece, nos meus braços.


Esse cigarro é só meu agora. Busco o maço ao lado da cama, sem te despertar, sem deixar você perdida em lençóis. Trago um pouco de luz pra mim. Acendo esse cigarro avivando minha memória, invadindo seu sonhar tão leve e sincero. Consumo essa fumaça desenhando caminhos pelo teto do quarto, definindo curvas pelo seu corpo. E digo baixinho para uma Você onírica, quase uma canção que você poderia ter me pedido para cantar em seu ouvido, as coisas que eu gostarei a partir dessa noite: becos, ruas, vielas escuras que me lembram seus olhos. Parques ensolarados ao amanhecer, como seus sorrisos. Noites de luas gigantescamente cheias refletidas em cabelos negros como os seus. Cabelos que agora estão ensopados de mim, bagunçados de nós. Sinto neles uma textura que nunca senti, enrolo meus dedos por uma mecha que insiste em me querer.  Não desvencilha.


Você me ouve ainda? Você me sonha agora?


Fecho meus olhos e saboreio esse idílico cigarro, com você sonhando em mim, suas pernas fincadas nas minhas, seus cabelos descansando entre meus dedos, e meus olhos fixos num indesejável fim.






FIM DO DÉCIMO QUINTO CIGARRO 

domingo, maio 15, 2011

Cigarette Countdown - #14

Horas. Eras se passaram por nós duas. A lua se moveu rapidamente, e não está mais onde a vi pela primeira vez: nos seus cabelos. Não há mais música, não há mais vozes de um universo distante, atrás da porta do nosso quarto. Este quarto! 
Tudo diferente. Lençóis devastados, você descoberta, eu desmedida, metida em sua vida numa única noite, numa única lua, em 13 cigarros.
Nada existia antes dessa noite, não houve antes desse momento, não houve antes dos seus cabelos, nunca houve um verdadeiro ANTES de você.
Num esforço tremendo dos meus músculos entregues aos seus, me levanto, estico, imploro pra não esquecer de voltar pra cama, pois já estou perdida nos flashes de um depois de você. 
Não me deixe divagar, eu peço com os olhos iluminados pelo isqueiro, meio escondido pela minha mão trêmula. 
Não me deixe dizer não, eu rogo, sugando o ar poluído desse novo cigarro. 
Não me deixe sair de você, eu exalo minha súplica  no ar.
Você desavisada dos meus pensamentos mais escorregadios, me pergunta: Pra onde irá depois daqui? Pra onde irei? Depois disso? Depois dessa noite? Depois...
E lembro tristemente de um Antes:

Uma casa. Vazia.
Flores num canto esperando vida.
Chave na porta.
Imagem confusa no espelho do elevador.
Eu.
Descendo, sucumbindo na noite.
Rua, beco escuro.
Ando. Espero. Fumo, sem gosto.
Outra casa. Cheia.
Flores em cabelos cheios de vida.
Porta aberta
Imagem confusa na janela da sala.
Eu.
Te vendo, sucumbindo na sua noite.
Lua., quarto escuro.
Ando. Tenho. Fumo, seu gosto.

Não tem pra onde ir depois daqui. Não sem você. Tremo de medo. Tropeço em expectativas vãs e lençóis. Atravesso nossas roupas e barreiras de um "quem sabe". E transformo sua pergunta num novo impulso de ter um agora, um mais presente, sem antes ou depois.
Me sento ao seu lado, e respondo: Depois? Quem sabe? E ganho meu direito de  ouvir seu agudo de novo, numa gargalhada, num gemido, num pedido irrecusável de terminarmos juntas esse novo cigarro.


FIM DO DÉCIMO QUARTO CIGARRO

domingo, maio 01, 2011

Cigarette Countdown - #13

... e continuamos, eu e você, de onde nunca deveríamos ter parado. 

Esqueço a interrupção daquela voz que não era minha, ardendo em seus ouvidos ao telefone. Você agora arde em mim, comigo e pra mim. Mas sei que algo mudou. Você treme mais que eu, você fecha mais os olhos e morde os lábios num medo só seu, onde eu não ouso tocar. 
Mas já aprendi como te tocar. 
Acendo um cigarro meu, pra você. Ponho o fogo nos seus lábios tensos. Você sorri e me saboreia neste presente. Desço pelo seu corpo junto com fumaça: língua, garganta, peito. E você me segura , envolve seu braço sem controle sobre meu pescoço. Mais um pouco, suficientemente perto para ouvir seu coração atormentado. Não quero ouvi-lo, não quero ver quem ou o que você guarda nele. 
Me desvencilho do seu não, e você se desvencilha da minha fumaça. Eu desço, eu danço, eu deixo seu controle pra lá e me vejo absolutamente cercada de você. Mais uma fumaça que entra, e sua perna faz o que seus braços não alcançam mais. Desta vez, seu controle é o meu guia, sua perna me impulsiona pra onde eu deveria ir. 
Minha visão escurece, não preciso dela agora. Olfato e paladar, pra saber que você é real. Tato e audição pra saber que eu sou real. Tenho seu gosto em mim, seu cheiro, seus gritos abafados pedindo mais, seus dedos em meus cabelos não me deixando respirar. Tenho tudo, tudo o que eu nunca conseguiria pedir, tudo o que você nunca conseguiria negar.

Tive você, como talvez nem você pudesse se ter. 


Enfim, você se contorce, torce lençóis e me chama exausta. Me devolve com toda gratidão do mundo o fogo que eu te trouxe: o cigarro quase no fim. Como se eu não estivesse já tomada de todos os seus sabores, me delicio com essa pontinha que por instantes esteve morrendo em sua boca.


FIM DO DÉCIMO TERCEIRO CIGARRO

terça-feira, abril 13, 2010

Cigarette Countdown #12


Tantas chamas, tanto fogo, tantas cores num escuro vermelho.

Sua respiração é tudo que vejo, em meio aos seus cabelos escuros. É uma cegueira com flashes de urgência. São pernas entre pernas, dedos entrelaçados em desejos fortes. Nos beijos vorazes onde quase nos arrancamos uma de dentro da outra sentimos o gosto dos nossos medos e aflições. Nos abraçamos mais forte. Sua cintura se espreme na minha mão. Minha nuca queima seus braços. Agora não somos mais eu e você, separadas pelo claro das nossas intenções. Somos nós, juntas, em nossos escuros reveladores. Não há mais nada além disso, não há urgência maior que a nossa.

Há! Houve!

Como se tivessem acendido um holofote pra nos pegar em fuga, uma luz surge na cabeceira da cama. Uma música, ao longe, te afasta de mim. Sou arremessada no espaço, distante. E você some no vácuo. Escuto sua voz apenas. E não é comigo que você fala. Com quem você desperdiça palavras agora? Pra quem você diz "Sim, está tudo bem."? Do outro lado do mundo, num universo que não quero acreditar que exista, alguém implora pra que você volte pra casa. Eu ouço um pouco. Eu morro um pouco. Eu fujo um pouco. Eu, um pouco!
Quem precisa de você agora? Quem te quer mais do que eu agora? E você sorri, pra quem?
Preciso de luz, preciso de ar seu dentro de mim pra saber que você está ainda aqui comigo.
Um cigarro indesejado é acendido, só pra te ver. Só pra você me notar por ali. E você nota, me olha, se distancia do telefonema e disfarçando o sorriso, seriamente adulta, diz palavras brutas e insignificantes, que não foram criadas para você falar.
Ainda com aquela voz colada no seu ouvindo, você senta e me chama pra perto. Segura meu cabelo entre os dedos, me acaricia o rosto e silenciosamente beija meu ombro. Tira o cigarro dos meus lábios, e recebo mais um toque silencioso dos seus lábios nos meus. Entendo agora nosso segredo. A cumplicidade é ainda maior. Temos mais do que imaginávamos.
Sou paciente. Meu cigarro queima com você. Eu espero, eu renasço nos seus olhares.
Você desliga, você volta, você tão presente quanto eu. Esqueço o último cigarro que não foi pra mim, nem pra você, e continuamos de onde nunca paramos.
E repito em mim:
Agora não somos mais eu e você, separadas pelo claro das nossas intenções. Somos nós, juntas, em nossos escuros reveladores. Não há mais nada além disso, não há urgência maior que a nossa.


FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CIGARRO

terça-feira, março 23, 2010

Cigarette Countdown #11




Eu me queimei com meu próprio fogo.

De joelhos, na cama, as duas esperando. Como se a partir dali, faltasse pouco pro mundo acabar. Eu olhei para os seus olhos quase fechados, minha mão foi atraída pra sua cintura. Você fechou mais ainda os olhos. A minha boca chegou no seu ombro, e seus cabelos formaram uma barreira entre meus lábios e sua pele. Subi então para seu pescoço, e tomei de assalto a curva do seu rosto. Cheguei na sua orelha e sem dominar mais meu próprio raciocínio, fiz confissões irracionais, inconcebíveis, inconsequentes em seu ouvido. Você tremeu, me pediu mais e quis que eu repetisse, e eu me assustei com minha sinceridade.
Você se afasta e me questiona: Você quer falar de paixão? É isso que está sentindo nesse momento?
Eu sinto tanto, e sinto tudo, tanto. Eu fervo por dentro, eu transbordo e molho por dentro. Você me abraça, de joelhos mesmo, com se fossemos crianças com medo da tempestade, perdidas no meio de tanto o que sentir. Eu crio coragem pra te dizer de novo, e mais uma vez, e quantas vezes você quiser: Sim vamos falar de paixão! Deixa eu tocar em você e te mostrar o quanto eu ardo nesse vermelho do seu sangue.

Me acende um cigarro, por favor.
Sim, você faz.
Me incendeia a noite.
Sim, seus olhos fazem.
Me aperta entre seus dedos.
Sim, suas unhas gritam.

Trago o cigarro mais quente da noite. Te deito, te subo, te alcanço no máximo da minha força. Te forço entre tudo que eu tenho pra te dar e a cabeceira da cama. Você arranca o insignificante tecido do meu corpo, minha roupa-pele queimada. Você me refresca com seus lábios em meus seios, em minha barriga, em minha cintura.

Mais um trago, mais um pouco de mim exalado no ar do quarto, mais pele voando entre fumaça. Você arranca o cigarro dos meus dedos, diz roucamente que agora não é hora, e atira o que nos distrai contra parede. Silêncio de respiração ofegante. Mais nuas do que estamos agora seria impossível. Nos olhamos em admiração. Nos queremos. Nos podemos. Nos apaixonamos. E imaginamos todos os cigarros que ainda queimarão no canto do quarto, sem a nossa atenção. E nos sorrimos.

FIM DO DÉCIMO PRIMEIRO CIGARRO







sábado, janeiro 23, 2010

Cigarette Countdown #10



Silêncio aqui dentro. Silêncio de minutos infinitos, de noites vazias, de cigarros tragados no escuro.

Tateando nas paredes me afasto de você, que agora é apenas Ela. Me infesto dela, de dúvidas sobre aquelas costas nuas e quase certezas sobre essas mãos ansiosas. É ela que eu quero.

Ela é a soma de todos os meus desejos. Ela é a soma de todos os caminhos. Ela é a soma de Todas.

Tento manter distância, tento te desvencilhar da fumaça que somos agora. As palavras de sons impronunciáveis ecoam num canto de um quarto, na esquina do pensamento, no centro do desejo. Ela não está sozinha, mas agora está, não estará, e quererá estar? E quererá querer-me depois? E quererá que eu a queira, que eu a sonhe, que eu a escreva? Quererá ela que eu a procure com bocas vermelhas, coxas e cigarros? Eu a quero nesta noite, e também nas tardes de sol queimando os ombros. Eu a quero agora, e também nas manhãs sonolentas de banho. Eu a quero já e quererei depois.

Caminho para trás, para o mais gelado dos lugares em mim. É a saída. É a covardia. É a fuga disfarçada de porta. Me apóio na maçaneta, arrumo força, e... Ela chama, ela vira, ela arruma os cabelos, ela senta, ela olha. Ela-olhos, ela-boca, ela-ombros, ela-seios, ela-mãos estendidas.
Como se derrapasse na estreita rua de uma noite escura e fria, caminho até onde eu possa me esquentar. Insetos. Lâmpadas. Zumbido de eletricidade em meus ouvidos. Dedos se tocam, pequenos raios estalam, sorrimos, rimos, gargalhamos, deitamos, beijamos, sentimos nossos perfumes de fumaça e nos queremos. Queríamos antes e queremos agora. Queremo-nos ardendo ao sol dessa noite. Queremo-nos na eterna noite desse quarto.


Eu a trago de novo, pra perto. Ela, que é agora você, me traga de novo, pra quase dentro. E juntas, tragamos o que pode ser o último cigarro da noite.
Aceito a condição. Acendo esse cigarro. Aceno pra você vir com tudo nessa noite. E você vem, e você queima lentamente na minha mão.
Como posso te querer só por agora?

FIM DO DÉCIMO CIGARRO




terça-feira, janeiro 19, 2010

terça-feira, dezembro 08, 2009

Cigarette Countdown #9


E o que se segue tem que ser impressionante.

Se até agora estou sem respirar por ter você aqui de pé, me olhando sentada, atônita, minhas mãos na sua cintura, sua cintura na fumaça do último cigarro, cigarro esse que nem sei se existiu.... não senti... não vi queimar.
O que mais terei de você?
Tive suas costas-dança, seu sorriso-fumaça, seu dedo-gosto. Tive meia-noite de lua, de sombra e chama.
Seguro suas coxas cobertas de jeans, te faço dobrar os joelhos e tenho você preenchendo o vazio ao meu redor. Seus cabelos saem do controle quase inexistente pra se jogarem sobre meu rosto quente. Qual golpe poderia ser mais preciso? Perco o ar definitivamente. Tomo sem pedir, as pequenas e breves exaladas da sua respiração perto da minha boca.
Perco a visão, mas afinam outros sentidos. Sinto cada pelo do seu braço, cada curva dos ossos. Ouço tudo claramente. Você se abaixa mais sobre mim, coloca sua perna entre as minha, exerce a força entre elas que eu mesma já não tenho. Me faz curvar.
Me faz soltar um som que nunca tinha ouvido antes, um grito surdo, cerrado entre dentes e lábios. Seus lábios no meu ouvido, meu ouvido recebe a mensagem, a mensagem chega onde não deveria, e eu compreendo o que você tenta dizer: "Não estou sozinha. Apenas hoje. Por enquanto estamos aqui, e não poderá ser outra noite."
Mais uma dança de pernas, mais um tranco nos quadris, mais pele, mais cabelo, mais sufoco, mas... Assumo o controle, vou por cima, deixo você ali deitada. Você se vira, me dando as costas mais desejáveis de todos os minutos dessa noite, estende a mão até a cômoda, pega o que antes era nosso fogo, agora é nossa dúvida. Não vejo seu rosto, mas seu corpo inteiro estremece num desejo interrompido.
Nosso cigarro é sugado no silêncio.
Nossa noite é sugada num moinho, um furacão, e nós no meio, vendo o mundo girar.
Fim do Nono Cigarro

terça-feira, novembro 24, 2009

Cigarette Countdown #8

E você me olhou, e me olhou bem.
Um pouco de ar roubou o espaço entre nós duas. Refrescou o suor da noite quente, da faísca do atrito dos corpos incendiários. Refrescou, mas não diminuiu o estrago.
Você soltou meu quadril por um instante, passou as costas da mão no meu rosto, afastou meu cabelo ensopado de te querer, aproximou a boca no meu ouvido e fiquei esperando a rajada da sua voz. E veio, e entrou, e me arrebatou: "A espera é só sua." - ela disse - "Mas não precisa ter pressa!"
Não quero ter pressa, quero descobrir cada gosto seu, cada cheiro, quero ver sua pele saltar da carne quando te toco. Mas você se esconde de alguma forma. São seu cabelos nos olhos, é sua respiração entrecortada, nunca terminando o que insinua, é a sua voz que me remete à algum beco escuro, sem saída?
Nada disso! Retomo. Eu te levo pra onde eu consiga só você. Vem comigo?

Acho uma porta, te pego no braço.
Acho uma chave, te puxo pra dentro.
Acho um escuro macio, vazio, silêncio.

Pressa? Pra que a pressa? Repito incansavelmente na minha mente inquieta. Pra que o sufoco do tempo?

Sento na cama, te sinto apenas, não te vejo. Alcanço a sua mão, os dedos finos, quero um dedo apenas. Temo estar indo rápido demais. Quero lento. Que gosto terá? Gosto de medo, de vontade, de querer agora? Ou depois? Abro a boca devagar, sinto primeiro o cheiro, depois a língua toca a ponta, e todo o dedo, e você treme, como eu.
Lento?
Devagar?
Sem pressa?
Você não pensa mais nisso, nem eu. Arranco o pouco que cobria seu colo, e tenho, sem ver, o contorno perfeito dos ombros, costas, peitos, cintura.
Luz! Vejo o mínimo do que antes estava na minha boca. Seu dedo. Outros dois dedos e um cigarro no meio. Luz no rosto, fogo nos lábios. Te vejo um pouco. Te vejo um quase. Fumaça. Arde seu sorriso mordendo os lábios.
Aproveito a pausa pra te observar, e te querer ainda mais.
Mais um cigarro e novo começo.


Pra que a pressa?
Pra que o tempo?
Quero te amanhecer.

FIM DO OITAVO CIGARRO

quinta-feira, outubro 08, 2009

Cigarette Countdown #7

De volta do meu devaneio, confirmo: Não tenho controle, nem quero ter.

Você está na minha frente, tão real como tudo que eu invento.

Estamos tão perto de conseguir o que queremos, seus olhos fechados, os meus bem abertos, pra te memorizar, pra te desfragmentar em milhares de cores, milhares de luzes.

E passo a mão nos seus cabelos, seguro sua nuca. Mais um beijo, mais todos os beijos que eu posso te dar.

Colo na parede, me mesclo com o vermelho da cortina e te puxo pro fogo comigo.

Sua mão me toca, fundo. Atinge meus ossos, eles tremem. Seu dedo desce pelo meu ombro, peito, barriga. A mão inteira agora, me segura pelo quadril, desenha minha curva até as costas. A mão inteira, eu sinto todo o desenho dela, todas as linhas, todos os seus póros grudados nos meus. Seus dedos fecham, pegando o máximo de mim. É só a palma, mas sou eu inteira nas suas mãos.

O caminho ainda vai pra baixo, mais pra baixo... até onde iremos agora? Pra onde você leva o pouco ar que consigo respirar quando estou com você?

Suas duas mãos no meu quadril, me puxam com força pra você. Sua rapidez é impressionante! Atinge o bolso da calça, entra sem pedir licença, vasculha e acha... Puxa o isqueiro. É fogo que você quer? Vamos começar com esse. Vasculho em você também. Acho o maço, tiro dois, acende o meu. Acendo o seu.

Olha pra mim, mas olha bem e responde: Por quanto tempo mais terei que esperar?


FIM DO SÉTIMO CIGARRO


terça-feira, agosto 18, 2009

Cigarette Countdown #6 - Pausa para devaneios


Abrir
procurar por aquilo que desejo
...
Trazer pra perto
Abrir mais
...
Deslizar o dedo
pegar aquilo que me instiga
...
Intransponível no início
Não querer desistir!
...
Conseguir tocar
Macio
...
Ter em minhas mãos
Passeando entre meus dedos
...
Sentir o cheiro
Levar até a boca
...
Procurar pelo fogo
o que me faz arder
...
Conseguir queimar
de primeira
...
Sentir o gosto
e o cheiro, e o fogo
...
Na língua
Narina, garganta
...
Respirar tudo isso
arder por dentro
...
Fechar os olhos
e sentir o tremor
...
O meu corpo tomado
disso, do cheiro, do gosto, do fogo
...
Ficar tonta com a primeira
Ficar entregue com a segunda
...
Trançar as pernas com a primeira
Afrouxar as pernas com a segunda
...
Não conseguir respirar
Não conseguir se conter
...
Segurar o máximo dentro de mim
E sentir que vai explodir, ou voar
...
Querer mais de mim
Querer mais de tudo
...
Saber que está quase acabando
E sonhar em começar tudo de novo
...
Estar a um milésimo de segundo do fim
E entender o que eu tenho
...
Nada na verdade
Apenas
...
Isso entre meus dedos
O fogo do cigarro
...
Isso entre minhas pernas
O fogo de você

FIM DO SEXTO CIGARRO

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